sábado, 24 de outubro de 2009

Vem me levar para teu paraíso

As folhas que caem ao meu redor são quedas sem retorno...

Um fim triste sem volta, tão amargo, que não lembra o outono.
Tu de mansinho em teu paraíso que vejo através das grades que me impedem de passar...
Ultrapassar o meu eu... Que quer fugir de mim...
Quer se perder... E eu não impeço tuas vontades.
Às vezes parece tédio, mas é só nostalgia, que implora por teu paraíso.
Os vidros já não embaçam pelos desejos ao meu olhar...
Sentir entre os meus dedos ao apertar...
Sentir comigo toda a vibração me alcançada, imaginar estar ao céu e ouvir notas celestiais...
Que só o amor a dois pode ouvir...
Vem me sussurrar desse teu paraíso, contar dos segredos mais sinceros...
Quero poder dormir e sentir o envolver desse lugar... Através dos sonhos...

Por Evellyn Freitas Bibiano

domingo, 27 de setembro de 2009

A Irônica Mentira

Minhas mentiras são clichês...
Nunca confessarei uma mentira com uma verdade meu bem...
E se confessei foi pura omissão.
Mentiras verdadeiras de traições...
Vitórias, conquistas inventadas...
De meu ser evasivo... Em complicações...
Serei sua falsa boba da corte.
Serei sua casta freira em pura insanidade.
Acredite em minhas verdades e seja feliz...
Escute minhas mentiras e chore a noite inteira...
E sinta o desgosto do final.
Mentir é um falso querer verdadeiro...
Se criar... Fantasiar... Esconder e mentir...
Enganar-se enfim...
Ser mais um cafajeste entre tantos...
Escute verdades e não se engane...
Se encante com o perigo da mentira ilusória,
Deixe-me levar á persuasão...
O irônico mentir... Calar-se e sorrir...
Mentir o ar sério, sorrir no ar sério...
Veja meu bem meu sarcasmo se arrastando por ti...
É erro? Enganação? Pena de morte?
Não...
É alívio... Compreensão...

Por Evellyn Freitas Bibiano

domingo, 10 de maio de 2009

Lembra? Pare...

Lembra quando o silêncio não existia? Era fácil brincar com as cores do céu e o meu azul... Não querer se desligar, sem ter medo do importuno, pois tudo se finalizava numa quase canção de ninar... Lembra daqueles gestos indecifráveis? Era uma boa conclusão do dia vivido, ou do momento presenciado... Esquecer-se das horas marcadas de quem esperava, esquecer-se do abandono do dia anterior... Lembra quando tudo era uma desculpa sem o pedido? Era mais fácil não responder e sobreviver, fazer de conta e caminhar, prosseguir... Nada apressava, pois nada era esperado, nada parava no lugar certo... Nada era certo afinal, o incerto ainda suporta... E aonde paramos? Paro aqui, por aqui... Mesmo que imperceptível, oculta ação... O observar é parado, está inerte sem preocupação... Paro e vejo o câncer que se tornou e se nada for comentado, de nada será para olhar... Analisar... Torna-se a mancha preta infectada, censurada por o receio inventado e tão pouco sentida, é a ironia que se sobressai... Questiono o lembrar parado, intocado... Em que seus hospedes alternam os lugares das mobílias escondendo-se embaixo da cama e não haverá alternativas, insônias sem companhia, contudo escureceu... Em seus olhos só se vê a contrariedade descrita em linhas remontadas, que dissolvem nas letras que flutuam, hipnotizam e se levam ao devaneio aguardado, pois a realidade é um ângulo complicado de se conviver, está em segundo plano, em negativo... Nos resta lembrar, parar e perceber o que essa bolha se tornou entre tantos personagens perdidos e que esqueceram seus respectivos nomes... Lembra dos sentimentos sem nome? Eles não pararam... O que parou foram os sentidos... Perdidos na insistência da memória...”Pare e não rasteje...”, esse é o voto final.

Por Evellyn Freitas Bibiano

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Titule...

É o contrário do prazer...
Vejo a vida nua entre meus olhos, mais nítida...
Sinto o prazer entre meus dedos, o cheiro salgado do prazer, que me compõe em um estado letárgico. Sinta meus detalhes e invoco enfim a sinestesia, meu bem querer...
Pulso levemente pela rapidez dos instintos, a balburdia da emoção, o molhado da língua nos lábios secos, com a respiração intensa...
A ausência no fim ao alter ego, ao se constituir em só titulo.
Ao decorrer da tarde que ameaça chover assim como teu corpo...
Remexido... Explorado dentro de si...
Na busca pela apreciação alheia, o tomar de um corpo em chamas, molhado ao gozo de si, em restos a desejos...
Fantasias criadas...
Segredos omitidos em unhas cravadas, que rabisca por o mal que me quer e suspira aguardando o recomeço. A queda que abre a porta, um blefe!
Move-se as pálpebras, se vê o escuro ao som do silêncio, em movimentos leves, quase parado, a fala surda de expõe, o calar falado em suspiros...
Olhos em procura do depois...
Do quase fim presenciado, aclamado internamente.
Carnalmente fala-se em alto som, resta aos sentidos ouvirem...E descrever em ações as intenções mentalmente...

Por Evellyn Freitas Bibiano

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Deve ser mentira...


É um universo desconhecido,
Que implora! Clama por mais cuidado... Mais atenção...
O outro não é diferente, mas todos são diferentes de ti...
Seu abrigo é um banco, antes branco,
Ou na ausência dele, o conforto de um chão...
Que todos pisam, cospem e ignoram, esquecem...
Levam adiante, mesmo que em todos os dias veja.
A presença da fome traz o desespero, angústia...
Outras vezes se torna um vício e a loucura para saciá-lo...
O furto se sobressai... A ameaça vence...
Palavras repetidas traz o receio...
É convincente...
A água não purifica,
A chuva não leva embora...
E as mãos ficam cansadas de procurar um refúgio.
É a luta por mais um dia,
A dúvida sobre o amanhã...
Não existem restos, só migalhas...
Não existe o pouco, somente o nada,
E farelos do observar...:
“_ Tia eu to com fome me dá um real...
...Eu vou te furar!...”

Por Evellyn Freitas Bibiano

sábado, 21 de fevereiro de 2009

O Abandono Egoísta


São ruas... Praças... Calçadas ocupadas...
Sem as quatro paredes da segurança de um lar...
Há tantos espaços vazios...
O silêncio, o vácuo o possui, e são desperdiçados no tempo que passa...
As portas estão fechadas... Ninguém é bem-vindo...
Ninguém é acolhido na porta de entrada, ninguém o convida para entrar e prosseguir a sua vida...
O ninguém que domina, o ninguém não aceita alguém, o ninguém é egoísta, o ninguém quer todo o espaço para ele e o ninguém que é bem vindo, o ninguém que é aceito...
E mesmo que as estruturas não estejam viáveis a ocupação, onde está aqueles que inventam tantas peças para a cidade e que não arrumam também peças novas para essa má estrutura...?
A ocupação perdeu-se... Não quer ser ocupada... Mas também não indica para onde ir...
Se for aceito ficar ao menos do lado de fora, esperando alguém abrir...
Para proteger do frio das ruas... Do duro da calçada... De escutar um “não” como resposta de suas solicitações...

Evellyn Freitas Bibiano

domingo, 8 de fevereiro de 2009

O Não Esperado

Alguém escutou os sinos tocarem...
Mesmo que eu ficasse presa, sem aquela liberdade que todos pensam entender.
A liberdade não é somente estar solta...
A liberdade consiste em poder voar pra onde quiser, sem jaulas...
Olhar para a lua...
Pensar assim como numa pintura de Van Gogh...
Poder expressar-se sã ou ébria...
Correndo... Entre estátuas na escuridão...
Entre seres loucos como tu...
Entre a insanidade perversa que me atrai.
Desconhecidos esquizofrênicos pensados inicialmente sair de sua mente, pois também acreditam que és verdadeira.
Mas sim.O verdadeiro esteve ali.
Não há como negar.
Uma noite prazerosa... Sem receios, cheia de escrúpulos...
Poética... Detalhista... Entre silêncios mudos...
Desejos escondidos e que depois entre o feitiço dessa noite saciam-se...
E já não querem ir embora...
Despedir-se... Será um Adeus?
Um sonho de onde acordo todas as minhas manhãs?
Porém um sonho bom.
Não há como esquecê-lo...
Mesmo que fosse interrompido pelo acordar...
O abrir dos portões...
O não esperado intitulado...


Por Evellyn Freitas Bibiano